ARTES MARCIAIS PARA ADULTOS

Para um adulto, com vida organizada, trabalho, família, responsabilidades, etc...iniciar uma actividade nova pode ser um desafio grande. Arranjar tempo, para ao final do dia, abdicar das suas preciosas horas de descanso para ir treinar “Karate”, será ainda mais difícil...ainda por cima agora, depois de “velho”.

Ora para os corajosos que deram este passo e venceram esta limitação mental e cultural, os meus mais sinceros parabéns. É por isto que na ETAMC tenho a tradição de graduar pessoalmente, todos os adultos com o seu primeiro cinto (amarelo), para lhes dizer isso mesmo, que tenho orgulho na decisão que tomaram e que são para mim um exemplo.

Depois deste importante passo, a magia começa. Com os treinos vêm os desafios físicos e com o tempo, começa-se a sentir as alterações no corpo. Primeiro as dores e eventualmente alguma lesão até. Mas depois, os exercícios que fisicamente já não tinha capacidade para realizar, ou que se apresentavam extremamente desafiadores, passam agora a ser mais fáceis e até normais...

A avalanche de nomes específicos e movimentos técnicos que nunca pensou ter a capacidade para memorizar ou executar, passam a tornar-se familiares e fluídos. Os conceitos complexos sobre luta e biodinâmica corporal, passam agora a ser perceptíveis e lógicos, e o interesse é crescente...

Com este caminho a condição física e moral (autoestima), vão crescendo e tornando-se cada vez mais fortes e vincadas.

Mas depois, lá vem aquele dia em que estamos mesmo cansados e que não nos apetece mesmo ir ao treino. Nesse momento, a nossa mente identifica a fraqueza e começa a criar cenários perfeitos, que justificam a nossa ausência, apresentando desculpas plausíveis para interromper o ciclo perfeito de assiduidade. Nesse dia, especialmente nesse dia, temos a possibilidade de crescer. Quando o sentimento de responsabilidade e compromisso para com o nosso Instrutor e colegas surge, e mesmo contrariados, vamos treinar, vencemos uma importante batalha. A nossa mente é nossa, mas não somos nós! E somos nós que comandamos a nossa vida e a nossa mente e não o oposto. Quando conseguimos vencer o pensamento, um dia, dois dias, três dias...conseguimos ganhar-lhe “mão”, e isso ir-se-á refletir no nosso quotidiano, ganhamos ímpeto, força de vontade, como diziam os antigos, ganhamos Rins...