QUERO DESISTIR...E AGORA?

Esta semana decidi escrever-vos sobre a dificuldade que todos nós passamos, quando os nossos filhos chegam a casa e dizem: eu não quero mais ir ao Kenpo.

Uhau!!! Depois de ter feito todo este investimento, equipamentos, mensalidades, tempo, etc...desistir? E agora???

Bom, nestes casos existem muitas coisas que podemos fazer logo à partida, nomeadamente:

1. Perguntar o porquê desta mudança de atitude. Entender se aconteceu alguma coisa nos treinos que fosse do desagrado da criança (o que muitas vezes é suposto acontecer). Se sim, então entender a situação e esclarecer, se precisar da ajuda do Instrutor, contacte-o sem hesitar.

2. Falar com o Instrutor e perceber como tem sido o comportamento nos treinos, se de alguma forma baixou o rendimento, se os treinos continuam a correr bem ou existe também uma desmotivação durante a prática. Se assim for, questionar o Instrutor de quais os meios que está a utilizar para melhorar essa condição e se há alguma coisa que possa fazer em casa para ajudar.

3. Entender se houve algum acontecimento específico que marcou esta mudança, nomeadamente a desistência de um colega, a aproximação de um exame para mudança de cinto ou torneio. Por vezes a vontade de desistir é causada pela ansiedade...

E assim à primeira vista, muitas vezes, estas três ações são já bastante eficazes. No entanto, a meu ver, elas são apenas fruto do bom senso. Existem reflexões muito mais importantes para fazer num casos destes.

A primeira a meu ver, será entender qual a sua (encarregado de educação) própria motivação para o seu educando praticar esta arte marcial.

É para mim apenas e só uma atividade extra curricular? Foi escolha da criança ou do Pai, praticar esta atividade? O que está esta atividade a dar ao meu educando, para além do óbvio? Será esta atividade uma mais valia na educação do meu filho?

Depois de responder a estas perguntas, fica já com uma linha condutora para ação. No entanto, independentemente das respostas, existem ainda mais algumas questões que acho pertinentes.

O que estou eu a fazer para motivar o meu filho para esta prática? Por vezes, todos nós, baralhamos os nossos papeis. Estarei eu a ser Pai ou a tentar ser professor? Quais são as minhas interações com o meu educando em relação ao Kenpo? Pergunto-lhe se ele gostou do treino, se se divertiu e se está feliz, ou em vez disso, digo-lhe que tem que se esforçar mais, que não teve concentrado o suficiente e que assim não aprende tão bem? Enquanto Instrutor de artes marciais à 20 anos e como pai de dois filhos, acho este ponto fundamental. Vamos todos refletir e vamos lecionar menos e amar mais...será que estamos a acompanhar o desenvolvimento e a evolução deles nesta atividade? Já lhes dissemos que gostamos de os ver treinar? Que temos orgulho por ter conseguido um cinto novo?

Outras das reflexões que enquanto Pais devemos fazer numa situação destas é sem dúvida as consequências de ser permissivo. Ou seja, num caso específico, onde o aluno dá início a uma nova atividade e há por parte de todos um investimento económico e familiar, quais vão ser as consequências subliminares para a educação da criança, se sem razão aparente, enquanto educadores, os deixamos desistir e permitimos a escolha simples do caminho mais fácil...

Tudo o que aqui escrevi, não se aplica unicamente ao Kenpo. Podem usar estas reflexões para várias outras situações. 


Obrigado e bom fim-de-semana!
Nuno Nunes