SEM PERCEBERES QUEM ÉS, A FELICIDADE NÃO PODE VIR ATÉ TI...

Todos nós nascemos iguais, oriundos de uma mesma chama original. Nascemos perfeitos mas não completos. Vimos a este mundo para trabalhar no nosso aperfeiçoamento enquanto Seres não duais. O objectivo desse trabalho é encontrar, experienciar e viver o Amor incondicional. No entanto, vimos a este mundo em locais diferentes deste planeta, sobre influências também elas diferentes. À medida que vamos crescendo, aprendemos os costumes e as culturas, não só dos locais, mas dos tempos em que vivemos.

Somos influenciados e moldados para sermos "normais". São esperadas acções, pensamentos e até julgamentos, tendo em conta a cor da nossa pele, a nossa idade, e lá está, o local onde nascemos. 

Nenhum dos comportamentos que referi somos nós, pois os mesmos não são inatos mas sim adquiridos. Como podemos ser algo que adquirimos? Se adquirimos então passa a ser "meu" e não "eu". Tudo aquilo que nós somos é inato, só pode ser... 

A curiosidade, a vontade de aprender, a facilidade de partilha, a ausência de frustração e julgamento, tudo isto são qualidades de uma criança, de um Ser feliz que expressa assim o seu amor incondicional pela vida e pelo facto de estar vivo. Com o crescimento e a vida em sociedade, vamos sendo formatados e informados que ser aquilo que somos não chega. Para termos valor, para sermos "alguém na vida", temos que nos educar, ir à escola e aprender. Ou seja, o teu valor depende directamente da quantidade de conhecimento que tens, da quantidade de bens adquiridos que consegues amealhar, sejam eles bens materiais ou outros. Seres só tu, definitivamente não chega. E nós, curiosos como somos, despertos para a vida e ansiosos por experienciar, aprendemos muito bem esta lição e interiorizamos a mensagem. É neste momento que confundimos o Ser com o Ter. Passamos a querer Ter e não a querer Ser, confundindo assim o conhecimento adquirido com o conhecimento inato e dificultamos a nossa experiência neste mundo. Com o passar do tempo, os filtros vão-se amontoando e passados 30 anos, somos incondicionalmente adultos, adaptados a uma realidade ilusória que nos controla e nos prende, sem termos uma noção exacta daquilo que somos verdadeiramente.

A felicidade é um sentimento único! Tal como outros sentimentos e emoções, não conseguimos aferir com exactidão os níveis de felicidade individual de cada pessoa. Podemos falar sempre sobre a sua percepção pessoal. Desta forma, quando perguntamos a alguém: sente-se feliz? A resposta será sempre a sua percepção. Quando observamos os comportamentos de alguém e concluímos que os mesmos são comportamentos de felicidade, mantemo-nos nas percepções, pois uma percepção forte influência o sentimento e o comportamento. A questão pertinente é se existe a ilusão daquilo que estamos cá a fazer, atingir esse patamar dá-nos igualmente a ilusão de sucesso e de felicidade. Conseguimos genuinamente sentir e reproduzir felicidade, mesmo estando a anos de luz daquilo que realmente deveríamos estar a conseguir... esta ilusão é sem duvida a fortaleza que nos envolve e nos impede de fugir da prisão em si. Quando a sociedade conseguiu fazer com que nós nos sentíssemos felizes com a nossa própria miséria, pôde abolir a escravidão visível e destruir os muros desta enorme prisão à qual chamamos a nossa vida. Somos assim, presos felizes, sem consciência da nossa verdadeira essência e potencial. Não entendemos que quanto mais possuímos, mais pesados ficamos, menos mobilidade temos. Cada posse é uma âncora, seja ela material ou intelectual. Eu tenho e Eu sei, nunca conseguirão ter a força de um Eu sou!

A verdadeira felicidade não precisa de ser construída, ela viaja na tua direcção. Se descobrires quem és verdadeiramente, iluminas-te e iluminas o caminho... sem perceberes quem és, a felicidade não pode vir até ti.

NN