MENSAGEM PARA 2020

Método de Kajukenbo da Família Lim

Vivemos hoje num mundo muito mais rápido, onde tudo tem que acontecer agora! Não há tempo a perder, as gratificações têm de ser imediatas e perde-se a noção daquilo que realmente importa, das prioridades, das relações profundas e com significado...as Artes Marciais são, inevitavelmente, influenciadas pelos tempos e dessa forma não são uma excepção. Todos os dias surgem novas variações técnicas, novos Mestres com novos estilos marciais, mais contemporâneos e “eficazes”, mais adaptados ao ritmo em que vivemos, com incentivos de várias naturezas, para combater a “concorrência” com as outras actividades disponíveis, com o telemóvel, com os tablets, ou para conseguir um maior número de alunos...

Kajukenbo da Família Lim tenta manter-se afastado desta correria e defende o ensino da tradição como uma ferramenta importante para entender o presente e melhor preparar o futuro. Diminuir o ritmo frenético em que vivemos, desenvolvendo em cada um dos seus praticantes o controlo sobre si próprio, através do treino do corpo, da mente e do espírito, é sem dúvida um dos nossos principais objectivos.

Respeitando as tradições marciais da cultura havaiana, passadas ao longo de anos pelos Mestres, Sijo Adriano EmperadoGrande Mestre Joe EmperadoProfessor Marino TiwanakGrande Mestre Allen Abad e Papa George Lim, o Kajukenbo mantêm-se fiel aos princípios e conceitos técnicos ensinados por estas grandes referências do panorama marcial mundial assim como aos valores tradicionais transversais a qualquer relação humana: honra, integridade e respeito.

Apesar de ser uma mistura de várias Artes Marciais, o Kajukenbo é essencialmente um conceito que nos transporta para a possibilidade infinita de misturar conhecimentos e conteúdos de todas as expressões de luta existentes. No entanto a nossa maior referência são sem dúvida as artes de batimento. No nosso treino, estimulamos o contacto físico como ferramenta de treino e desenvolvimento. Na busca por uma eficácia rápida, contundente e segura, 50% das nossas técnicas são de batimento, os restantes 50% dividem-se assim em soluções com chaves, luxações, estrangulamentos, projecções, trabalho de chão entre outras. Trabalhamos igualmente com várias armas, umas mais realistas e actuais, outras mais pelos benefícios e aspectos culturais...

Encorajamos todos os nossos alunos a experimentar outras filosofias marciais, a serem humildes e a aprenderem com tudo e com todos, no entanto, não seguimos tendências ou modas. Não adaptamos as nossas técnicas, conceitos ou princípios para seguir a filosofia deste ou daquele estilo mais popular, ou para ir ao encontro de mais alunos. Adaptamos as nossas técnicas por necessidade...

Assistimos diariamente ao crescimento e massificação de outros conceitos marciais, assim como de vários desportos de combate em si. Esta realidade deixa-nos bastante felizes, no entanto optamos por manter-nos fiéis à nossa tradição e cultura marcial. O nosso treino é baseado na cultura de um povo, numa determinada altura da sua história, onde se lutava na rua, diariamente, pela sobrevivência. Não nos comparamos a nenhum outro estilo ou filosofia marcial, somos iguais a nós próprios e temos orgulho das nossas escolhas.

No Kajukenbo não existe uma forma rápida de atingir a graduação de Cinto Negro ou o título de Instrutor. Não temos programas de ensino à distância nem vendemos DVD’S de ensino. Cada um dos nossos Cintos Negros tem no mínimo, 9 anos de treino efectivo.

No Kajukenbo não estamos desesperados para encontrar novos alunos ou representantes pelo mundo fora. Apenas aqueles que dedicam parte das suas vidas ao estudo desta arte, atingem esse estatuto. É um caminho sem fim!

Apesar do nosso programa técnico ser baseado em exemplos pré-definidos para situações reais específicas, as mesmas servem apenas para nos ajudar a compreender conceitos e princípios que só poderão ser verdadeiramente assimilados com os anos de prática e quando leccionados por um Instrutor devidamente acreditado e conhecedor. Procuramos alunos dedicados, que se esforçam por aprender os “porquês” das técnicas e não apenas decorar uma determinada sequência de movimentos...

Todos os nossos Instrutores têm um entendimento total sobre o programa técnico e não receberam o seu diploma apenas por se lembrarem de um determinado número de técnicas a cada exame. O entendimento da arte deve estar no corpo do praticante e não na cabeça. Memorizar técnicas nunca será suficiente para evoluir dentro desta Arte Marcial. A forma pré-concebida como as nossas técnicas estão agrupadas representa apenas uma ferramenta de ensino, nada mais.

Apesar de orgulhosamente defendermos que no Kajukenbo a “tradição se funde com a evolução”, pretendemos dar continuidade a um legado tradicional em termos de conteúdos, conceitos, princípios e valores que ao mesmo tempo fundimos com o futuro, pois temos consciência que o amanhã está a ser construído hoje. Somos uma arte marcial tradicional para os tempos modernos.

Benavente, 01 Janeiro 2020