O Kajukenbo

O método de Kajukenbo praticado pela Família Lim é uma Artes Marcial que tem como principal objectivo o desenvolvimento físico e mental dos seus praticantes. O mesmo resulta da interpretação pessoal do Grande Mestre George Lim, daquilo que foram os ensinamentos dos seus Mestres, assim como da interpretação pessoal do Professor Nuno Nunes e da sua própria visão marcial. O Kajukenbo da Família Lim, pretende desenvolver aptidões físicas que permitam aos alunos, viver uma vida saudável e activa, mas ao mesmo tempo incutir-lhes noções de disciplina, respeito, integridade, concentração, autoestima, perseverança e resiliência.


Através da conquista de pequenos objectivos diários, pretendemos anular barreiras, trabalhar limitações e aumentar capacidades. Estes conceitos são interiorizados de uma forma gradual e sem pressão. Através do treino disciplinado e regular, os alunos são inseridos numa comunidade com uma hierarquia previamente definida, que os irá ajudar a compreender os seus limites e a forma como se devem relacionar com os outros.

É cada vez mais frequente, na sociedade moderna, verificarmos que a socialização entre pessoas está num nível diferente daquele que estava à cerca de 20 ou 30 anos atrás. Com o crescente evoluir da tecnologia, crianças, adolescentes e até adultos fixam-se nos computadores, nos tablets, nos telefones, deixando lacunas graves no seu desenvolvimento enquanto membros de uma sociedade global. Desta forma, o Kajukenbo pretende igualmente ajudar a desenvolver relações interpessoais.


Através do treino físico propriamente dito, pretendemos modelar o comportamento dos nossos alunos, bem como as atitudes, de modo a que seja mais fácil a adaptação às convenções sociais. Através dos exercícios didáticos e do treino das técnicas, que envolvem a cooperação dos colegas, o aluno começa a saber partilhar e a descobrir em si mesmo as “regras” da amizade e do contacto social, como aproximar-se dos outros, controlar impulsos agressivos e expressar afectos.

Assim sendo, pretendemos que os alunos:

-       Descubram por si mesmos, as regras da amizade e do contacto social;

-       Conheçam os outros e aprendem a partilhar-se também, criando empatia e proximidade;

-       Controlem impulsos agressivos e aprendam a expressar afectos;

-       Aprendam a interpretar e a expressar correctamente as suas emoções;

-       Se for caso disso, alterem o seu comportamento facilitando a socialização;

-       Aprendam a ouvir e a aceitar a opinião dos outros;

-       Sejam capazes de tomar decisões e de agir segundo a sua própria vontade e iniciativa;

-       Aprendam a receber críticas assim como elogios;

-       Aprendam a partilhar e a elogiar...

Temos igualmente 10 premissas fortes que tentamos passar, através de acções, para todos os nossos alunos. É importante ler e entender cada uma delas, pois por norma os alunos mais novos entendem melhor o ensino destas premissas que os próprios Pais ou Encarregados de Educação. É por isso que deve haver uma relação de confiança entre os Instrutores e os Alunos / Encarregados de Educação. Aqui ficam os nossos “10 Mandamentos”:

1. Não premiamos mau comportamento!

2. Ouvir uns quantos “nãos” faz parte da vida. Passa à frente!

3. Todos somos livres de fazer escolhas, não somos no entanto livres de sofrer as suas consequências...

4. A vida não é justa!

5. Tu não és o “patrão” cá do sítio!

6. O mundo não gira à tua volta!!!

7. O respeito ganha-se, não é oferecido...

8. O mundo não te deve absolutamente nada. Luta pelo que queres!

9. Fitas e birras não te levam a lado nenhum, portanto, não gastes o teu tempo...

10. Cala a boca e abre os ouvidos!


O Kajukenbo no contexto actual

Vivemos hoje num mundo muito mais rápido, onde tudo tem que acontecer agora! Não há tempo a perder...as Artes Marciais são, inevitavelmente, influenciadas pelos tempos e dessa forma não são uma excepção. Todos os dias surgem novas variações técnicas, novos Mestres com novos estilos marciais, mais contemporâneos e “eficazes”, mais adaptados ao ritmo em que vivemos, com incentivos de várias naturezas, para combater a “concorrência” com as outras actividades disponíveis, ou apenas com o telemóvel e os tablets...

O Kajukenbo da Família Lim tenta manter-se afastado desta correria e defende o ensino da tradição como uma ferramenta importante para entender o presente e melhor preparar o futuro. Diminuir o ritmo frenético em que vivemos, desenvolvendo em cada um dos seus praticantes o controlo sobre si próprio, através do treino do corpo, da mente e do espírito, é sem dúvida um dos nossos principais objectivos.

Celebração dos 20 anos da Escola - Dezembro de 2018

Apesar de orgulhosamente defendermos que no Kajukenbo a “tradição se funde com a evolução”, pretendemos dar continuidade a um legado tradicional em termos de conteúdos, conceitos, princípios e valores que ao mesmo tempo fundimos com o futuro, pois temos consciência que o amanhã está a ser construído hoje...

Respeitando as tradições marciais da cultura havaiana, passadas ao longo de anos pelos Mestres, Sijo Adriano Emperado, Grande Mestre Joe Emperado, Professor Marino Tiwanak, Grande Mestre Allen Abad e Grande Mestre George Lim, o Kajukenbo mantêm-se fiel aos princípios e conceitos técnicos ensinados por estas grandes referências do panorama marcial mundial assim como aos valores tradicionais transversais a qualquer relação humana: honra, integridade e respeito.


Apesar de ser uma mistura de várias Artes Marciais, o Kajukenbo é essencialmente uma arte de batimento. No nosso treino, estimulamos o contacto físico como ferramenta de treino e desenvolvimento. Na busca por uma eficácia rápida, contundente e segura, 50% das nossas técnicas são de mãos, 20% são de pés e apenas 30% contêm soluções com chaves, luxações, estrangulamentos, projecções entre outras. Trabalhamos igualmente com várias armas, umas mais realistas e actuais, outras mais pelos benefícios e aspectos culturais...

Encorajamos todos os nossos alunos a experimentar outras filosofias marciais, a serem humildes e a aprenderem com tudo e com todos, no entanto, não seguimos tendências ou modas. Não adaptamos as nossas técnicas, conceitos ou princípios para seguir a filosofia deste ou daquele estilo mais popular, ou para ir ao encontro de mais alunos.

Senpai João Leandro, Senpai Susana Rodrigues, Senpai Ricardo Inácio, Professor Nuno Nunes e Kumu Ana Nunes com a ex-campeã de MMA - UFC Chris Cyborg

Assistimos diariamente ao crescimento e massificação de outros conceitos marciais, assim como de vários desportos de combate em si. Esta realidade deixa-nos bastante felizes, no entanto optamos por manter-nos fiéis à nossa tradição e cultura marcial. O nosso treino é baseado na cultura de um povo, numa determinada altura da sua história, onde se lutava na rua, diariamente, pela sobrevivência. Não nos comparamos a nenhum outro estilo ou filosofia marcial, somos iguais a nós próprios e temos orgulho das nossas escolhas.

No Kajukenbo não existe uma forma rápida de atingir a graduação de Cinto Negro ou o título de Instrutor. Não temos programas de ensino à distância nem vendemos DVD’S de ensino. Cada um dos nossos Cintos Negros tem no mínimo, 9 anos de treino efectivo.

No Kajukenbo não estamos desesperados para encontrar novos alunos ou representantes pelo mundo fora. Apenas aqueles que dedicam parte das suas vidas ao estudo desta arte, atingem esse estatuto. É um caminho sem fim!

Apesar do nosso programa técnico ser baseado em exemplos pré-definidos para situações reais específicas, as mesmas servem apenas para nos ajudar a compreender conceitos e princípios que só poderão ser verdadeiramente assimilados com os anos de prática e quando leccionados por um Instrutor devidamente acreditado e conhecedor. Procuramos alunos dedicados, que se esforçam por aprender os “porquês” das técnicas e não apenas decorar uma determinada sequência de movimentos...

Todos os nossos Instrutores têm um entendimento total sobre o programa técnico e não receberam o seu diploma apenas por se lembrarem de um determinado número de técnicas a cada exame. O entendimento da arte deve estar no corpo do praticante e não na cabeça. Memorizar técnicas nunca será suficiente para evoluir dentro desta Arte Marcial. A forma pré-concebida como as nossas técnicas estão agrupadas é apenas uma ferramenta de ensino, nada mais.

Kumu Ana  e Professor Nuno Nunes
Fundadores da ETAMC e responsáveis pelo Kajukenbo da Família Lim em Portugal e na Europa